quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SEM SAÍDA

MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA X MEIO AMBIENTE

Hoje, o estado do meio ambiente no mundo é extremamente preocupante, pois deixou de ser uma ameaça as espécies da fauna e flora, passando a representar uma ameaça à manutenção da vida humana neste planeta.

Os efeitos do aquecimento global, poluição, extermínio de espécies e a manutenção da vida humana, têm contribuído para sensibilização das pessoas ao redor do mundo sobre as questões ambientais, tendo destaque na mídia e no discurso de campanhas políticas e grupos ambientalistas em todo planeta.

Uns dois mais destacados cientistas da atualidade, autor da teoria de Gaia e de dois livros instigantes e reflexivos: A Vingança de Gaia (2006) e Gaia Alerta Final (2009), ambos lançados pela Record, James Lovelock, nos afirma em entrevista:

“Até o fim do século, 80% da população humana desaparecerá. Os 20% restantes vão viver no ártico e em alguns poucos oásis em outros continentes, onde as temperaturas forem mais baixas e houver um pouco de chuva [...] Quase todo o território brasileiro será demasiadamente quente e seco para ser habitado.” (Veja, 20)

Grandes pensadores da atualidade têm apregoado a extinção da espécie humana da terra, pois a terra tem que se livrar do seu câncer, a humanidade, para que ela e outras espécies de vida possam viver e da continuidade a história evolutiva. Boff chama o homem de o Satã da terra de o homo sapiens et demens (2006, 2009). Pois nós somos ecocida e geocida. Edward Wilson em seu livro O futuro da Vida (2002, 121), afirma: “O homem até hoje tem desempenhado o papel de assassino planetário [...]”

Théodore Monod, em seu texto reflexivo: “E se a aventura humana falhar?” (2002, 246-248). Afirma: “Somos capazes de uma conduta insensata e demente, pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquilação da Raça humana”. (p. 246) acrescenta: “seria o justo preço de nossas loucuras e de nossas crueldades”.

Se nós percebermos o cenário trágico que a humanidade acometeu ao meio ambiente e a si mesmo através de uma conduta irresponsável e um modo linear de produção sem respeito à terra, veremos que é uma possibilidade palpável.

O Relatório Planeta Vivo de 2006 do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) declarou: “O ser humano consome 25% a mais do que a terra pode repor. Em 2050 precisaremos de duas terras como a atual para atender as demandas humanas.”

Texto completo: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2787596

BEAUTIFUL, ALIVE, WORTH DYING FOR

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

58% DAS EMPRESAS IGNORAM CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE


02/10/2011 - 07h05
CAMILA MENDONÇA

FOLHA DE SÃO PAULO

Negócios que se dizem sustentáveis ganham pontos com o consumidor, e os microempresários sabem disso.

O que eles desconhecem, contudo, é o próprio conceito de sustentabilidade, aponta a primeira sondagem do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) sobre o tema, feita com 3.058 micro e pequenas empresas do país em agosto deste ano.

Do total de entrevistados, 58% afirmaram não ter conhecimento algum sobre o assunto. Ainda assim, 47% deles disseram que a questão representa oportunidade de ganho, e 79% pontuaram que ser sustentável atrai clientes.

A incoerência é "reflexo do pouco conhecimento [do empresário]", avalia o diretor técnico do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos.

"As empresas têm dado muita atenção à questão ambiental, mas a sustentabilidade também tem como base aspectos sociais e econômicos", diz o professor Clovis Armando Alvarenga Netto, coordenador do curso de ecodesign, da Fundação Vanzolini.

A sustentabilidade alia projetos ambientais a sociais (como oferta de cursos e outros planos que se destinam às pessoas da região da empresa) -que precisam auxiliar o empreendimento a gerar lucro. "Se não for assim, não será sustentável", reforça Alvarenga Netto.

Ze Carlos Barretta/Folhapress
Luiza Nizoli em espaço criado para funcionários com recursos gerados pela economia de papel e energia
Luiza Nizoli em espaço criado para funcionários com recursos gerados pela economia de papel e energia

Por acreditarem que o conceito está unicamente ligado à questão ambiental, empresários têm dificuldades de implantar práticas efetivas.

Na Apdata, de software, a tentativa foi barrada pela "falta de conscientização dos funcionários", afirma a presidente, Luiza Nizoli, 50.

Há seis anos, a empresa começou a adotar práticas simples, como redução de uso de papel, mas esbarrou na resistência da equipe, que teria de mudar hábitos. "As pessoas enxergam que a empresa quer ganhar [sozinha]."

CUSTO É EMPECILHO

Para ter um negócio sustentável, Luiz Cezar Pereira, 70, sócio da Enersud, fabricante de turbinas eólicas, construiu fábrica em Maricá (a 54 km do Rio de Janeiro) com nova estrutura.

Nela, há geração de energia eólica e solar, sistema de captação de água de chuva, telhas brancas (que reduzem o calor interno) e calha plástica (que beneficia a iluminação natural). O custo foi 40% maior, se comparado ao de uma estrutura convencional.

O retorno do investimento, diz Pereira, vem com o tempo. "Precisamos ser assim para nos apresentarmos ao mercado, e esse é hoje o nosso argumento de venda", explica.

Para muitos donos de empresas de micro e pequeno portes, porém, o custo é um dos maiores empecilhos para a implantação de projetos que aliem as três bases da sustentabilidade --ambiental, econômica e social.

"Ao rever processos de gestão, [o gestor] verá que há ações que não impactam o caixa", diz Claudio Albuquerque, diretor da ImparBrasil, consultoria em responsabilidade socioambiental.

Clovis Alvarenga Netto, da Fundação Vanzolini, concorda. "Existem iniciativas de curto prazo que podem contribuir [para diminuir custos, como redução do uso de papel]", sinaliza o professor.

Para especialistas, a falta de informação impede empresas de adotarem práticas efetivas, e a maioria reduz suas ações à troca de copo plástico por caneca e à economia de papel e energia. "É um primeiro passo", considera.

É o que acontece na Medilab, laboratório de análises clínicas. "Não temos muita opção [porque os custos aumentariam]", diz a gerente Kelsilayne Fraga, 34.

Quando a economia passou a ser revertida em benefícios para os funcionários, como sala com rede para cochilos, a adesão foi maior. Hoje a Apdata conta com comitê sobre o tema para tentar implementar novas práticas.

http://classificados.folha.com.br/negocios/984015-58-das-empresas-ignoram-conceito-de-sustentabilidade.shtml

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

MEIO AMBIENTE: OITO PEÕES VALEM MAIS QUE UM REI


*Por Leonardo Sakamoto

A Rio+20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá por aqui, está se aproximando (está marcada para junho) e juro que quero ver como o Brasil pretende justificar diante do mundo seu descompasso entre discurso e prática, entre um modelo de desenvolvimento que faria corar os verde-oliva durante a Gloriosa e a propaganda de país verde, que gera empregos verdes e quer guiar o mundo para uma economia verde. Bem, não vou entrar nesse debate – mais uma vez – mas abordar um outro tema. Cansei de ouvir intelectuais que se auto intitulam “progressistas” ou de “esquerda” e afirmam militar por uma sociedade mais justa e humana fazendo coro com setores políticos e econômicos ao pedir que o meio ambiente não seja um entrave para o crescimento. Que se cuide do planeta, adapte-se padrões de crescimento, mas que o “progresso” não seja afetado.

Fazem contas para mostrar que a vida de algumas centenas de famílias camponesas, ribeirinhas, quilombolas ou indígenas não pode se sobrepujar ao “interesse nacional”. Defendem a energia nuclear como panaceia. Taxam de “sabotagem sob influência estrangeira” a atuação de movimentos e entidades sérias que atuam para que o “progresso” não trague o país numa baforada. Já ouvi esse discurso antes. Mas achei que ele estava enterrado junto com a ditadura e os velhos verde-oliva citados acima. Certas coisas nunca morrem, só trocam de farda.

Valeria a pena pararem para refletir e perceber que o que chamam de “interesse nacional” é, na verdade, o interesse de poucos. Como a implantação de usinas hidrelétricas em regiões de mineração para abastecer a siderurgia de exportação. Antes de pensar em escala macroeconômica, é importante ver o que vai acontecer na realidade da população. E os casos que temos visto não são nada bons.

Recomendo a leitura do Relatório de Impacto Ambiental desses projetos. Há centenas de críticas à implantação da obra, prova-se que as consequências à população e ao meio serão imensas, que no longo prazo os empregos gerados não acompanharão o desemprego movido pelas desapropriações de terras. E, no final, vem a conclusão cara-de-pau recomendando o projeto apenas com uma meia dúzia de sugestões para minimizar o impacto. E com um passivo ambiental que não atrapalha ninguém.

Este post não é para defender ONGs, bem pelo contrário. Tem um monte de organizações que agem de forma bizarra, ajudando grandes empresas a ocupar a planície amazônica de forma inconsequente. Outras gastam mais dinheiro organizando discussões que não geram proposições e não levam a lugar nenhum (além, é claro, da manutenção delas próprias…) do que o necessário para garantir a implantação de políticas públicas já discutidas, mas empacadas por falta de verbas e de vontade.

Mas para perguntar: por que uma turma inteligente e esclarecida acha que o capital do Centro-Sul brasileiro pilhar a Amazônia e o Cerrado é muito diferente do Centro mundial pilhar a Periferia? Os resultados são iguais e a história está aí para mostrar as tragédias causadas quando quem detinha o poder e disse representar a maioria subjugou as minorias.

Sendo que, no Brasil, o que acontece com uma minoria em um vilarejo da Amazônia repete-se metonimicamente por todo o território. O problema é igual, mudam apenas os atores e sotaques.

O desenvolvimento em curso na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, entre outros lugares, privilegia apenas uma camada pequena da população. Os lucros advindos da implantação de grandes empreendimentos permanece concentrado na mão de poucos, enquanto o prejuízo é dividido por todos. Vale lembrar o exemplo de municípios como Coari (AM) e São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, ricos em royalties do petróleo e derivados, mas com baixo índice de desenvolvimento humano.

Esse pragmatismo exacerbado, de que são necessários perder os peões para se ganhar uma partida de xadrez, é muito triste. Ainda mais vindo de pessoas que diziam que peões eram mais importantes que reis até alguns anos atrás.

*Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP e ex-professor na USP, trabalhou em diversos veículos de comunicação, cobrindo os problemas sociais brasileiros. É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/10/08/meio-ambiente-oito-peoes-valem-mais-que-um-rei/

domingo, 9 de outubro de 2011

DESABAFO DE UMA SENHORA

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte. Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?

http://paranosdoismensagens.blogspot.com/2011/10/defesa-do-meio-ambiente.html

quarta-feira, 5 de outubro de 2011